quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

...

Os braços que antes,
alcançavam seu pescoço,
se enroscando, se perdendo
em nossos corpos estão parados,
cruzados ao meu redor.

Meus braços.

Já não há mais (a)braços
e o vazio vai consumindo
todo sentimento de pertencimento.

Pertencer antes fazia sentido,
mas não mais.

Os lábios.
Tão longe de se encontrarem,
e quando acontece...
é apenas mais uma discussão.

O amor.
Deixou a cena, nossos corpos
cansados de lutar contra o cotidiano,
se renderam.

A chama.
Antes acessa, hoje
serve apenas para
nos queimar.

O amor não
foi feito pra você!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Casas

Sorriso que me contagia,
voz que faz meu coração acelerar,
como se fosse a primeira vez.

As noites de amor, as tardes de brigadeiro,
as madrugadas de seriado, as manhãs preguiçosas,
eu sempre quero mais quando estou com você.

Os dias, os meses e anos são insuficientes
para satisfazer a minha vontade de 
estar com você.

Um dia quem sabe gente não
se muda, porque minha casa
já é você! 



terça-feira, 15 de novembro de 2016

Crimes passionais

Eu, ingênua.
Acreditando em utopias,
em encontros de almas gêmeas.

Eu, apaixonada.
Crente que o amor,
tudo solucionava e
esperar que ele fosse meu
anjo da guarda.

Eu, traída.
Entendia que o amor
era genuíno e nada destruía,
mas será que era amor o que
ele sentia?

A vida.
Matou outra menina.
Dizem que foi crime passional,
que matou porque perdeu a cabeça,
que não sabia o que estava fazendo,
que ela provocou, fez ciúmes e o
coitadinho, fez o que?
Atirou.
A tirou a vida.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Amar

Observava você,
seus olhos 
nos meus e 
nossos lábios
se 
(re)encontravam.

Beijos, não!
O nosso encontro
era mesmo de alma.

Essa (c)alma que
sua presença me
causa.

A inquietação do
corpo ao te ver,
ele só sossega
com você.

O verbo que a
gente conjuga 
é Amar!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Drama

Os corpos deitados,
sem fôlego, suando,
a boca seca e seus 
olhos marejados.

As batidas da música 
não acompanhavam a do 
seu coração.

Hoje, não - ela pensava -
talvez isso possa durar mais 
do que segundos, e lá se foi
ele.

Sem beijos de despedida, 
sem adeus, sem amor.

Partiu, assim como seu 
coração
partido.

Ela foi quem chegou primeiro,
pulou da janela, 
deixando assim suas partes 
no chão.

Desde aquele dia, ele tenta
repartir seu amor, 
sem ela.

Violências

Silêncio, gritavam.
Silêncio é a única coisa que merece.
Mas, a boca nem sempre ajuda,
respondeu, por não aguentar mais ouvir as
ofensas, por não mais aguentar as injustiças.

Silêncio, fez-se a sala quando entraram.
Ninguém se falava, nem se olhava.
Coração acelerado, 
raiva,
voz embargada, como se tivesse
um nó na garganta.

Perguntou ele: - Por que não olha pra mim?
 e ela respondeu: - Limitações. - Ele não entendeu,
a ofendeu mais ainda, porque gente quando não entende,
ofende.

A violência cotidiana, acontece mais de 20 anos.
A Violência física,
 psicológica, 
patrimonial 
e moral.

Até quando? 



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Ser

Ser Mulher é morrer
todos os dias um pouco.
É desde o nascimento ter sua
vida programada pra casar e ter filhos, 
ser bela, recatada e do lar.
E se você não quiser, bem... não existe
essa opção.
Ser Mulher, é ser ridicularizada
à todo momento, é ser desmerecida,
ser invisivel quando morre, é não ser
pra aí ser vista, ou nem isso.
Ser Mulher é receber piadas machistas
e se por acaso não rir é vista como feminazi.
Ser Mulher é mais do que se sentir mulher,
usar batom, salto alto ou qualquer vestimenta.
Eu não nasci Mulher, porque não é uma 
genitália que me define, eu sou o que (des)construo,
o que amo, o que não amo, o que vivo e o que não vivo.
Eu sou apenas o que eu quero ser, livre.