sexta-feira, 15 de junho de 2018

Crimes

Uma pilha de papéis,
livros, cd's...

roupas pela cama, 
pelo chão, por toda
a casa...

a cena de te ver estirada
no chão, não o matou.

Ele levou todo o lixo para
fora e sorriu para os vizinhos
sussurrando: É louca!

Você, que não podia se defender
ficou lá, parada, como qualquer
corpo sem vida ficaria.

- Ela se matou - disse ele - eu sabia
que isso aconteceria, foram dois segundos
que eu a deixei sozinha, ela é desequilibrada.

Ok! - disse o policial - tudo está resolvido, 
pode ir embora. 

O crime foi ter nascido Mulher.


quarta-feira, 23 de maio de 2018

Transar

Acordei querendo escrever sobre
desamor.
Acontece que eu tenho tanto amor,
que ao invés de desamar, ele transa.
Juntos transa(mos).

Sobre poesias eróticas que você me faz escrever.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Coisa de pele

Quando ele
toca a minha pele,
eu sinto um arrepio
na alma.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Infância

Nasci Menina!

Única filha, Menina.
Única sobrinha, Menina.
Única neta, menina em
uma família com quatro netOs.

Cresceu, com o tempo foi
descobrindo o mundo e
destronando os tais "Príncipes"
que nunca foram encantados.

No seu quarto o rosa
nunca foi bem vindo.
Era tudo azul, para se lembrar
do céu de um dia ensolarado
ou
até mesmo amarelinho pra se
lembrar do "solzinho".

Sempre foi de riso fácil,
mas o gênio forte.
Dizia a Mãe em lembrá-la
que sempre fora de Leão.

Nascida em 11 de Agosto,
suas primaveras sempre foram
doces, mesmo, quando amargas.

Hoje, já não se parece mais a menina
dos cachos loiros e dente de leite,
mas ela a carrega nos olhos.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Poesia sem nome

Corpos tímidos.
Um fitando o outro.
Acho que não havia sorrisos, mas
poderia haver.

Nossos olhos, em um breve momento
se cruzaram.
Disfarçamos.
Voltei a te fitar, assustada, com medo.
Medo da rejeição que
poderia ter...

Nada aconteceu.
Nada aconteceu.
Nada aconteceu.

E então...

Os meus olhos marejados.
os seus aflitos.
Queria me ajudar,
não sabia como...

Eu sabia!
Sempre soube.
Te olhei novamente
e  finalmente fiz as pazes
com o espelho.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

(Re)Nascimento

Hoje renasci.
Olhei nos olhos
da Mulher que
me tornei.
Gritei.
Chorei.
Reagi.

Hoje sua opressão
não me calou.
Hoje meu medo não
me impediu de dizer
o quão tóxico você sempre foi.

Hoje eu e todas as Mulheres
que existem em mim falamos:
BASTA!

Não foi pequeno, foi gigante.

Hoje o grito foi de liberdade
e quem chorou foi você.
Mas
as lágrimas de machista a gente
não consegue nem passar pano.

A criança que tinha medo,
hoje renasceu, Mulher.

Te quiero

Eu te quero assim, do jeito que tu és.
Se puder falar mais baixo, usar roupas
menos curtas, melhor.
Comportada, de pernas fechadas e boca
também, afinal, eu consigo falar por nós.
Não, você pode ter opinião, se for igual
a minha.
Ta tirando foto, por quê? Cadê sua autoestima,
só quer ganhar likes, né? De quem?
Assim desse jeito, você não consegue ninguém,
aliás não pode ter ninguém.
Porque eu, eu já tenho o meu ego
e você,
serve aqui para bater palmas!